MADRI - Além dos insistentes protestos contra o desemprego que atinge 21% da população e a política de austeridade, os espanhóis deram neste domingo, nas urnas, sua resposta definitiva às tentativas do presidente do governo (premier), José Luis Rodríguez Zapatero, de tirar o país da crise econômica.
Seu Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) sofreu uma derrota histórica nas eleições locais e regionais que escolheram 8.116 prefeitos e cerca de 68.400 vereadores em todo o país - dando vitória ao Partido Popular (PP), de centro-direita, e forçando Zapatero a admitir publicamente a derrota antes mesmo do término da contagem de votos.
Com 98% das urnas apuradas, o PP mantinha uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o partido governista, com a preferência de 37,58% do eleitorado espanhol.
- Os resultados indicam que o PSOE perdeu claramente as eleições no dia de hoje. Assumimos (a derrota) e entendemos - reconheceu o premier.
Apesar da humilhação eleitoral - que muitos acreditam que deve se repetir nas eleições gerais no ano que vem - Zapatero pediu aos novos eleitos que trabalhem junto para conter a crise - e rechaçou, ainda, qualquer hipótese de suspender as primárias do PSOE ou de convocar eleições antecipadas.
Socialistas perdem até redutos tradicionais
Além de prefeitos e vereadores, os espanhóis também escolheram 824 deputados dos parlamentos de 13 das 17 comunidades autônomas espanholas - exceto o País Basco, a Catalunha, a Andaluzia e a Galícia, que convocam suas eleições regionais em outras datas.
Para analistas, a ascensão da centro-direita nada mais é que um castigo imposto a Zapatero - que apesar de elogiado no exterior pela disciplina fiscal du$a crise na zona do euro vê sua popularidade despencar diante de uma economia estagnada e índices de desemprego que, entre a população com menos de 25 anos, chega a 44%, quase o dobro da média da União Europeia.
O PSOE foi derrotado, inclusive, em alguns de seus mais tradicionais bastiões, como os dois governos regionais de Castilla-La Mancha, no centro do país, Extremadura, no oeste, e as prefeituras de Barcelona e Sevilha.
- Amanhã vou acordar e trabalhar para cumprir as promessas eleitorais e recuperar a Espanha e a economia - declarou o líder do PP, Mariano Rajoy.
Na Praça Porta do Sol, na capital espanhola, transformada nos últimos dias em sede do movimento 15-M, que rejeita o atual modelo político do país, os manifestantes decidiram manter o acampamento por pelo menos por mais uma.
Feito por: Murilo Cavalcanti
Postado por: Aline Teixeira e Nayhara Carvalho